Algumas canções tem o amor, a família, a dor ou outro sentimento para expressar o que sente. A política também é lembrada em várias canções, porquê ela interfere na sua vida, e isso não pode se deixar de lado. Os dois lados sempre andaram juntas, por isso uma alimenta a outra. O lado politico que você defende não interessa para o bem da humanidade, e a música não escolhe o lado.

No mundo houve ocasiões em que a música fez refletir as ações da politica em conflitos. Podemos citar Beethoven com a sua 3° sinfonia, que dedicou a Napoleão Bonaparte, por que achava benéfico a Revolução Francesa, mas quando soube que ele se auto proclamou imperador, rabiscou a dedicatória. “Bodas de Fígaro” de Mozart foi outra ópera que teve seu enredo como uma crítica a classe aristocrata da época.

No Brasil houveram muitas situações em que a música tentava mostrar os vários problemas sociais. Em 1921, Sinhô, sambista, ironizou o então presidente Artur Bernardes com a música “Fala Baixo”. “Retrato do Velho”, marchinha de carnaval interpretada por Francisco Alves, falava de Getúlio Vargas:

“Bota o retrato do velho outra vez
Bota no mesmo lugar
O sorriso do velhinho
Faz a gente trabalhar”

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Cartaz da campanha de Julio Prestes

Na eleição presidencial de 1930 a disputa entre Julio Prestes e Getúlio Vargas foi tema de várias canções. “Seu Julinho Vem” de Freire Júnior cantava o que Julio Prestes era o candidato certo enquanto “É, sim senhor” de Eduardo Souto era do lado de Getúlio, tinha até a música que ficava em cima do muro, “Eu sou é Úlio” de Silvio Salema que brincava com a parte final dos nomes dos presidenciáveis.

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Mas foi a partir dos anos 60 que se intensificou a política na música. Bob Dylan foi um dos grandes nomes da música que bateu de frente com a politica mundial que não agradava, “The Times They Are A-Changin” com letra direta a humanidade que ia para um abismo de desgraças e guerras, e ele apontava o dedo para os parlamentares e chamavam os jovens para essa luta.

Com a introdução da ditadura militar, o Brasil recebeu uma enxurrada de canções de protestos. Uma delas a “Pra não dizer que não falei de flores” de Geraldo Vandré foi banida após o Festival Internacional da Canção de 1968, além de “estranhamente” ter perdido esse festival. Chico Buarque teve que usar um pseudônimo para passar pela aprovação da censura, usou Julinho do Adelaide para poder ter suas canções liberadas. Além de outros inúmeros artistas do final dos anos 60: Caetano, Gil, Taiguara, Tom Zé, Geraldo Vandré e muito mais.

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A ditadura em outros países também influenciou vários artistas, principalmente na América do Sul, e ainda mais especifico no Chile e na Argentina. No Chile tinha Violeta Parra, Angel Parra, Isabel Parra, Payo Grondona entre outros. Na Argentina tinha Mercedes Sosa, Horácio Guarany, Atahualpa Yupangui e o pianista Miguel Angel Estrella.

Anos 80 no Brasil entraram os grupos de rock e punk. Com uma atitude mais enérgica, até pelo afrouxamento da censura e começo da republica, podem colocar de forma mas explicita as suas indignações. Cazuza e Renato Russo foram os expoentes principais. Cazuza com “Brasil” e “O tempo não para” e Renato com “Geração Coca-Cola” e “Que País é este”. No começo dos anos 90 até os dias de hoje esse trabalho ficou com o rappers: Racionais MC’s, Pavilhão 9, Planet Hemp, Detentos do Rap, MV Bill, Sabotage entre outros, e vindo mais ainda para os dias atuais temos Emicida, Criolo, Projota, Kamau e muito mais.

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Como podem ver os tempos passam, poderemos ficar aqui contando inúmeras historias de diferentes nacionalidades, em que o confronto contra a repressão foi feita através da música. A música foi o principal instrumento para o povo colocar sua indignação contra a politica que de alguma maneira estava indo na contramão do que foram eleitos ou não.