Em uma tarde de domingo, mas exatamente, dia 22 de agosto de 1965 as 16:30, na rua da Consolação, no auditório da Record, entrava no ar um programa voltado para o público jovem, que entraria para a história da música brasileira: O Programa Jovem Guarda. Hoje temos em mente que a Jovem Guarda não foi apenas um programa, mas sim um movimento onde abrange o antes do programa Jovem Guarda, durante e depois do fim do programa. Foi um movimento que só foi percebido sua grandeza anos depois.

Seus apresentadores: Wanderléia, Erasmo e Roberto Carlos. Traziam o que havia de melhor do da música dos anos 60 como Ronnie Cord, The Jordans, Renato e Seus Blue Caps, Os Incríveis, Elizeth Cardoso, Jorge Ben entre muitos outros. O programa foi lançado para combater com a TV Excelsior, que há mais de um ano era líder de audiência.

240132Muitos foram os artistas que passaram pelo palco do programa, muitos até que não faziam parte do cenário iê-iê-iê da época: Elizeth Cardoso, Jorge Ben, Cauby Peixoto, Elis Regina e Ataulfo Alves. Existiam vários programas que ou que tinham começado antes do Programa Jovem Guarda ou depois, estavam aproveitando o sucesso que a onda jovem estava proporcionando: ‘A Hora da Buzina’ com o Chacrinha, ‘Juventude e Ternura’ apresentados por Wanderley Cardoso e Rosemeire, Programa do ‘Ronnie Von’, ‘A Go Go’ apresentado por Jerry Adriani, Programa ‘O Bom’ apresentado por Eduardo Araújo e Sylvinha, ‘Boa tarde Juventude’ apresentado por Ademar Dutra, “Alô Brotos” com Sergio Galvão, “Encontro com a Juventude” de Antônio Aguilar.

Um dos motivos que fizeram o programa ter sucesso foi o cenário que a música estava já alguns anos antes. O jovem era o alvo desde o 1° LP de Celly Campello. Outros artistas como: Sérgio Murilo, Demétrius, Tony Campello, George Freedman, Albert e Meire Pavão, Eduardo Araújo, Ronnie Cord, … entre outros. O rádio AM tinha vários programas voltados para a juventude: Rádio Guanabara com “Programa de José de Messias”, na rádio Nacional tinha o “Clube dos Brotos” com Carlos Imperial, outra da Rádio Nacional era o Programa “A Vitrola do Dodô”

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Roberto Carlos, Wanderléa e Erasmo Carlos

Apostar as fichas em 3 jovens em um horário que precisava combater a Rival Excelsior, era audacioso. Eles já tinham um certo sucesso pelas rádios de São Paulo e Rio de Janeiro, mas na TV sabiam que a dinâmica seria diferente. O entrosamento que tiveram, a amizade que tinham e a inovação nos trejeitos fizeram que arrebatassem o público. Com suas roupas, a minissaia, os cordões, os cintos e muitos outros acessórios que eles traziam. A linguagem usada era direta ao broto (jovem), ficando mais fácil a aproximação.

O LP “Em Ritmo de Aventura”(colocar link no nome) e o compacto “Namoradinha de um amigoRC12ok meu” foram o LP e o compacto que tiveram mais notoriedade no cenário musical. O LP foi ajudado pelo filme homônimo e o compacto com a música mais emblemática da dupla Roberto e Erasmo, para colocarem também como um movimento criativo, não ficando apenas nas canções de amor. E falando em filmes temos outros artistas pegando carona nesse segmento que deu certo com Roberto: Wanderléa com “Juventude e Ternura”, Jerry Adriani com “Grande Parada”, Wanderley Cardoso com “Pobre Príncipe Encantado”, Os Incríveis com “Os Incríveis Neste Mundo Louco”.

Conseguiram fãs por todo o Brasil, participavam em vários programas de rádios, e por onde passavam, lá estavam as fãs enlouquecidas. Martinha, uma fã até então, foi descoberta por Roberto Carlos, viu que ela tinha talento para compor, e gravou uma de suas canções “Eu Daria Minha Vida”

A Jovem Guarda tinha tanta popularidade que chegou a um ponto de criar rivalidades entre os fãs. Onde tinha Jerry Adriani não podiam ter Wanderley Cardoso, os fãs não se batiam, porque sempre colocavam seu artista como melhor que o outro. Roberto Carlos era o rei, com isso arrumaram um príncipe, Ronnie Von que tinha seu próprio programa. Existia uma rivalidade não tão aberta entre Renato e Seus Blue Caps e Roberto Carlos, mas essa seria pelas vendas dos discos.

Claramente a grande influência seria os Beatles, que traziam o iê-iê-iê britânico, também há The Mamas and The Papas, The Byrds, Frankie Avalon, Rolling Stones. Mas a jovem guarda também deixou suas influências para artistas que vieram depois: Diana, Paulo Sérgio, Nilton César, Odair José, Lulu Santos e Autoramas.

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Um dos legados mais marcantes é a inserção das guitarras elétricas na música brasileira. Com isso ganha muitos ‘inimigos’ que contestam a guitarra na música popular brasileira, há até a passeata contra as guitarras. O cabelo grande vira sinônimo de pessoas marginalizadas, mas há o lado bom: O cabelo grande foi combustível para várias canções. Meire Pavão era a grande diva até 1966, era a Rainha da Juventude, muito prestigiada até pela Bilboard, mas Wanderléa com ciúmes de seu sucesso pede a saída da mesma (boatos). Erasmo Carlos e Eduardo Araújo foram acusados por aliciarem menores durante uma festa de aniversário, no fim fi descoberto a verdade, não teve nada.

Depois de tantos anos que o programa terminou, ainda falamos sobre esse movimento, por que? Porque foi um movimento onde se questionou a sociedade, não bateu de frente aos militares, mas sim de frente com o povo. Teve vários músicos excelentes tecnicamente: Lafayete, Manito, Aladim, Renato e Paulo Barros. Colocou o estilo rock, no rock nacional, que é algo essencial. Mas eles eram do povo, algo que é muito difícil de conseguir, atingiu todas as classes e idades, agradando a todos. As influências que muitos artistas têm da Jovem Guarda, vão pairar por muito tempo, são músicas temporais, onde você leva e qualquer momento ela bate com o momento. Foi marcante e inesquecível para quem viu ou participou.