Muitas histórias e lendas rondam por volta do ano de 1968, o motivo, simples. Fora de fato um ano incrível em diversos aspectos. Muitos fatos ocorreram nesse ano, fatos nacionais e internacionais. Neste artigo listaremos alguns dos mais importantes ou mais polêmicos acontecimento no mundo da música nacional deste ano.

Em terras tupiniquins o final da década de sessenta foi bastante sombria.  A ditadura se instalava no pais definitivamente, onde as regras do “jogo” mudaram literalmente e o pais caminhava para uma rotina de perseguições, mortes, torturas, lutas.  Uma das classes afetadas com tudo isso, certamente fora a classe artística, pois mais que qualquer um, sentia a necessidade de ter de volta a sua liberdade de expressão, seu direito de pensamento e seu direito de criação.

Há mais de 50 anos atrás, o Brasil começava a viver um período obscuro em sua história política, marcado por torturas, mortes, anulação de direitos e censura.

Há mais de 50 anos atrás, o Brasil começava a viver um período obscuro em sua história política, marcado por torturas, mortes, anulação de direitos e censura.

Diversos foram os artistas que foram caçados pelos ditadores nesse ano. Caetano Veloso fora um deles com seu disco “Caetano Veloso”, conhecido também pelo nome da primeira faixa do disco “Tropicália”, diga se de passagem o mais polêmico de sua, carreira, foi um verdadeiro tapa na sociedade e em seus governantes. Músicas como Tropicália, Clarice, “Onde andaras” e “Alegria, Alegria” fez desse álbum uma verdade obra de arte.



A música” Alegria, Alegria”, foi inscrita de fato em 66, e foi o marco do movimento Tropicalista, mas somente em 1968 ela foi inserida no álbum “Caetano Veloso”. Para os colecionadores de discos de vinil sabem, que este é o álbum mais raro de sua carreira pelo que ele representa.

Data da foto: 1968 Caetano Veloso e Gilberto Gil. Antes mesmo de deflagrado o AI-5, alguns representantes incipientes da MPB já eram vistos pelos militares como inimigos do regime, entre eles, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Taiguara e Geraldo Vandré.

Data da foto: 1968
Caetano Veloso e Gilberto Gil.
Antes mesmo de deflagrado o AI-5, alguns representantes incipientes da MPB já eram vistos pelos militares como inimigos do regime, entre eles, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Taiguara e Geraldo Vandré.

Assim como Caetano, outros também deixaram sua marca nesse ano. Gilberto Gil, eterno amigo de Caetano, também lançou seu disco. O Disco “Gilberto Gil”, mais conhecido como “Frevo” também alavancou as paradas de sucesso pela musicalidade, mas também pelas letras polêmicas. Principalmente a canção “Domingo no Parque”, sem dúvidas a mais polemica do disco, riquíssima em figuras de linguagem. Os arranjos e a composição são incríveis, e causou polêmica por unir elementos considerados contraditórios naquela época. O uso do berimbau, a melodia que lembrava um baião e a presenta de uma orquestra erudita. Isso sem dúvidas foi um espanto para época.



Seguindo a mesma linha tivemos Chico Buarque, com seu álbum Volume 3, com os sucessos “Januária”, “Carolina”, “Trema para Morte e Vida Severina” e “Roda Viva”. O single “Roda Viva” foi terceiro lugar do Festival da Musica Popular Brasileira em setembro de 67, mas foi lançada em 68.
No mesmo ano, ocorreu o lançamento do primeiro álbum do Roberto Carlos após a sua saída do programa Jovem Guarda. Programa este que acabou 8 meses depois de sua saída.  Em 1968 também tivemos o lançamento dos primeiros álbuns de Vanusa, Os Mutantes e Raulzito e os Panteras.


Além de todas essas grandes criações, em 1968 tivemos dois grandes e polêmicos festivais. Um deles foi o Festival de Música Popular Brasileira transmitido na Rede Record e o outro foi o Festival Internacional da Canção na Rede Globo.  A primeira polêmica que rondou esses festivais, foi a possível manipulação dos resultados por conta de ditadura. Ambas Emissoras apoiavam o regime militar na época e a diferencia entre o Júri Técnico (Especial) e o Júri popular fora gritante.


Com o endurecimento da ditadura militar no Brasil, Chico Buarque também precisou endurecer a forma como escrevia suas canções. Descontente com a forma como o país estava sendo conduzido, o compositor encontrou na sua arte a voz para denunciar e criticar o que estava ocorrendo naquele momento da história do Brasil, o que acabou gerando em Chico o rótulo de 'compositor engajado'

Com o endurecimento da ditadura militar no Brasil, Chico Buarque também precisou endurecer a forma como escrevia suas canções. Descontente com a forma como o país estava sendo conduzido, o compositor encontrou na sua arte a voz para denunciar e criticar o que estava ocorrendo naquele momento da história do Brasil, o que acabou gerando em Chico o rótulo de ‘compositor engajado’

A música que venceu o Festival da TV Record fora a música “São Paulo, meu amor” de Tom Zé e em Sexto lugar ficou a música que ganhou em primeiro para o Júri Popular.  A música seria “Benvinda” de Chico Buarque.  Para o Júri Popular a música de Tom Zé ficou em quinto lugar. Esse fato gerou um desconforto enorme entre a população e os organizadores dos festivais.


O Festival Internacional da Canção transmitido no mesmo ano pela Rede Globo, teve como primeiro lugar a canção “Sabiá”, canção originalmente criada por Chico Buarque e Tom Jobim, porém interpretado por Cynara e Cybele. O ato marcante nesse festival foi a música “É proibido Proibir” que fora completamente cortada do festival. Veloso vaiado começou um discurso no qual declarou que nunca mais iria participar desses festivais. Esse discurso mais tarde foi para o lado B do compacto de “É proibido proibir” com o título de “Ambientes de Festival”.


1968 de fato foi um ano cabalístico. Um ano que marcou a história da música nacional e deixou marcas que até hoje estão estampadas em nossas faces. Esse ponto de vista também é defendido pelo jornalista Brasileiro Zuenir Ventura em seu livro “1968: O ano que não Terminou”.  Um ano de muito sofrimento para o povo brasileiro, porém devido ao sofrimento e dificuldade, inúmeras obras primas surgiram por conta desses fatos. Obras que foram eternizadas na história da música nacional.