Tudo na vida são ciclos, com começo, meio e fim. Com a Legião Urbana e Renato Russo, esta máxima infelizmente, não fugiu à regra. A verdade é que poucos registros nacionais possuem uma carga tão triste e melancólica quanto o sétimo e último trabalho da Legião, A Tempestade Ou O Livro dos Dias.

Muito debilitado em decorrência da Aids, Renato Russo faz de cada faixa desse derradeiro trabalho uma despedida, algo que fica ainda mais explícito no encarte do cd, onde há uma citação de Oswald de Andrade que diz: “O Brasil é uma república federativa cheia de árvores e gente dizendo adeus”.

Com quase 70 minutos de duração, este é de longe o trabalho mais longo do grupo e ele se perde em composições tristes como Longe do Meu Lado, A Via Láctea, L’Avventura, Quando Você Voltar e O Livro dos Dias, que mais parece uma carta de despedida.

Todas as faixas deste disco foram gravadas sob um enorme esforço de Renato Russo, que já estava muito fraco por conta da doença. Os vocais foram gravados de primeira, sem retoques e ajustes e além da fraqueza, o vocalista e compositor não tinha vontade de refazer mais nada.

Lançado em 20 de setembro de 1996, Renato morreu 21 dias após o lançamento do trabalho. Presente em todos os discos da Legião Urbana, a frase “Legião Urbana Omnia Vincit” (Legião Urbana a tudo vence) e “Ouça no volume máximo”, em A Tempestade, curiosamente não há estas citações, que já era algo tradicional do trio.

Este é um álbum triste que te deixa triste, mesmo que você não tenha motivos para isso. Dá para sentir em cada faixa que Renato Russo colocou todo o seu sentimento para fora, tudo que lhe doía, para assim, desta forma, poder descansar em paz. De alguma forma, o maior poeta da música brasileira sabia que este seria seu último trabalho em vida e quis deixar uma despedida digna para os fãs.

Este é um trabalho que os fãs devem ouví-lo quantas vezes forem necessárias pois ele é indispensável para qualquer fã ou para qualquer pessoa que admira palavras que saiam do fundo do coração.

PS: Tamanha poesia e sentimento deste disco, destaco ao final deste texto uma frase que particularmente eu acho linda e resume toda a magia melancólica em torno deste registro: “Triste coisa é querer bem a quem não sabe perdoar”. Acho que não preciso dizer mais nada.

FAIXAS:

1 – Natália
2 – L’Avventura
3 – Música de Trabalho
4 – Longe do Meu Lado
5 – A Via Láctea
6 – Música Ambiente
7 – Aloha
8 – Soul Parsifal
9 – Dezesseis
10 – Mil Pedaços
11 – Leila
12 – 1º de Julho
13 – Esperando Por Mim
14 – Quando Você Voltar
15 – O Livro dos Dias