Imagem Jazz (Coletânea lançada somente na América latina na década de 80). Ano de Lançamento: 1982. Um disco sensacional, com faixas sensacionais. Porém desta vez a resenha será a escrita no próprio verso da capa do Vinil,  escrito por José Domingos Raffaelli (Crítico e Jornalista).

“Este é o melhor disco de jazz editado no Brasil juntamente com ‘The Great Dizzy Gillespie’. 10494734_876776452402644_3472392500540818534_nReúne faixas de duas famosas sessões do genial saxofonista Charlie Parker para a etiqueta Dial em 1946 e 1947, embora editado em nome de Miles Davis. São registros históricos, documentos musicais definitivos da era do ‘bebop’ – um dos períodos mais férteis da história do jazz – executados pelo maior improvisador de todos os tempos e seus pequenos conjuntos. As composições originais do LP, com exceção do clássico A Night In Tunísia, de autoria de Parker, tornaram-se parte integrante do repertório jazzístico: o extremamente melódico Yardbyrd Suite, o famoso Ornithology, o rítmico Moose The Moche, o incomparável Bird Of Paradise e o alegre Scrapple From The Apple.


Escrever sobre Parker redundaria em em repetições enfadonhas. Seria melhor ouvir o ‘breack’ após a exposição de A Night In Tunísia’ para constatarmos que ele fez ‘o impossível’: um turbilhão de notas perfeitamente colocadas com total sentido musical. São apenas quatro compassos que abrigam a centelha musical fulgurante da marca de um gênio. O solo envolvente e preciso de Bird em Embraceable You é uma das maiores performances de balada em todos os tempos. Out Of Nowhere e My Old Flame são de grande beleza melódica, e Miles Davis preconiza uma nova direção pela frieza de suas linhas improvisadas – embora extremamente líricas – mais tarde definidas nas célebres gravações do seu tenteto: o cool jazz.

Verso do Vinil onde o Texto em questão está impresso.

Verso do Vinil onde o Texto em questão está impresso.

Este disco permite aos fãs brasileiros tomarem contato com três dos melhores músicos revelados naquele período: Lucky Thompson, Duke Jordan e Dodo Marmosa. Thompson é um solista completo, e em 1957 acrescentaria à sua bagagem instrumental o saxofone soprano, do qual viria a ser um dos maiores expoentes. Possuindo uma das maiores imaginações melódicas que se conhece, Lucky ombreou-se aos melhores de todos os tempos. Jordan possui um dos toques mais puros dentre os pianistas; seus pequenos solos são obras-primas de síntese e conteúdo musical, com a facilidade de saber condensar tantas idéias em tão curto espaço. Marmosa tinha muito talento, mas seu complexo de inferioridade, por considerar-se medíocre, terminou por afastá-lo do jazz Max Roach, possivelmente o maior percussionista da história do jazz, expandiu o vocabulário do instrumento criado pelo pioneiro Kenny Clarke para a bateria moderna. Dos demais participantes, Victor McMillan e Roy Portes deixaram a música e Tommy Porter toca ocasionalmente.


O promissor guitarrista Arv Garrison faleceu em 1960, vítima de epilepsia, deixando essas poucas faixas como legado musical. Miles Davis tornou-se um dos músicos mais influentes no curso do jazz, evoluindo como trompetista e contribuindo com uma série de inovações para a ampliação do material temático. Em maio de 1974 seus concertos no Brasil motivaram fortes controvérsias pelas derivações do tipo de música que executou.

Como afirmamos, este é o melhor disco de jazz lançado no Brasil ao lado daquele de Dizzy Gillespie. Curiosamente, ambos não foram editados em nome de Parker, embora contenham as obras-primas de Bird no ápice de sua carreira.

A Imagem orgulhosamente apresenta estas memoráveis e definitivas gravações em que o gênio inconteste daquele extraordinário músico deixou estampada indelevelmente o seu incomparável talento, do qual nenhum outro jazz man sequer aproximou-se”.


Faixas

1 – OUT OF NOWHERE
2 – A NIGHT IN TUNISIA
3 – YARDBIRD SUITE
4 – ORNITHOLOGY
5 – MOOSE THE MOOCHE
6 – EMBRACEABLE YOY
7 – BIRD OF PARADISE
8 – MY OLD FLAME
9 – DONT BLAME ME
10 – SCRAPPLE FROM THE APPLE


Texto Original de José Domingos Raffaelli