Mississippi, região do Delta, que fica próximo ao Rio Mississippi uma das casas do blues. Era 1937 e um jovem guitarrista levava o seu blues por todos os lados do rio. Considerado um dos bluesman mais importante da história da música. Robert era “aclamado e odiado” por outros bluesman da época. A região do Texas, Alabama e até mesmo os country-blues do norte tentavam imitá-lo com seu Blues de Doze Compassos.

deltaposter“Cross Road Blues” é uma das músicas que levaram o mito de que Jonhson vendeu sua alma ao diabo. Vendendo ou não, essa canção é o exemplo ideal da música feita na região do Delta, com progressões harmônicas que deixaram sua marca. Ao ouvir é percebido que apenas a guitarra e sua voz era o suficiente para eternizá-la. Também pode colocar na conta dessa música, uma das responsáveis pela mudança do blues rural, mais sujo para um blues mais limpo, bem trabalhado que agradaria ao povo que se urbanizava rapidamente.

Há algumas partes da música em que há uma alusão ao misticismo (“Eu fui para a encruzilhada. Caí sobre meus joelhos” / “Pedi ao Senhor “Tenha misericórdia, salve o pobre Bob, eu imploro””), e isso se repete por quase toda canção. Será que foi real mesmo? A religião naqueles anos era algo muito sério, tanto o bem ou o mal era visto como real. Mas isso nunca saberemos.

“Eu tentei conseguir uma carona
Ninguém parecia me conhecer, querida
Todo mundo passava por mim
Em pé na encruzilhada, querida…”

Esse foi um dos últimos suspiros desse estilo de blues. Ao final dessa década o norte dos EUA. precisava de mão-de-obra, com isso os sulistas acabaram migrando para o norte, que por fim esse tipo de som foi sendo substituído gradativamente. Ao ouvir esse som, coloque na sua mente que foi escrito por um negro, que vivia no sul dos EUA, em uma região muito pobre, e que sobrevivia indo de bar em bar tocando seu blues, porque foi o blues que libertava e dava alegria a esse povo que ainda sofria com a derrota na Guerra Civil e estava vendo seu povo indo embora.