Quando nos lembramos de algum artista pelos números alcançados, temos a prova da sua qualidade? Os números transmitem a excelência que essa obra chegou? Ou é apenas um excelente e exaustivo trabalho de marketing?

Temos inúmeros parâmetros que podemos seguir, e hoje em dia tem número para tudo: Vendas em um único dia, na semana, no mês e no ano. Vendas online, números de vezes tocadas no dia, na semana… e por aí vai. Mas será que transmite uma qualidade musical e artística?

Louis Armstrong quando gravou “What at Wonderful World” vendeu apenas 1.000 cópias, e hoje é uma das maiores canções do século XX. E para quem acabou de pensar “Mas para a época esses são os números reais! Não vendiam muito mais que isso.”, você está errado! The Shadows (grupo instrumental) que nem era um grupo de primeiro escalão da música mundial, ganhava discos e discos de ouro, a música “Apache” alcançou na época mais de 2 milhões de singles vendidos. Com essa noção podemos entender a frustração em que Armstrong ficou um bom tempo sem tocar nas suas apresentações.

liberomusicaNo Brasil temos o caso do Ronnie Von, que gravou 4 Lp’s após a onda do iê-iê-iê, com muito experimentalismo e psicodelismo as vendagens foram vergonhosas, Ronnie veio de um ‘boom’ no marketing através de seus trabalhos mais voltado a que Roberto Carlos e sua turma faziam e sua beleza que conquistavam várias fãs para um trabalho que ficou por muito tempo esquecido e hoje é considerado uma obra-prima. E Tim Maia com sua obra Racional? Nem preciso falar como essa obra é importante, Tim estava com sua voz limpa e alta e com isso mostrava a potência que poderia chegar e as vendas foram pífias,

Roberto Carlos nos anos 80 continuava a vender milhões de discos no Brasil e na América Latina, agora as suas composições já não eram as mesmas de anos anteriores, usava temas da moda para continuar por cima, além de se ‘filiar’ a Rede Globo de Televisão. RPM com seu disco ao vivo “Radio Pirata”, sucesso de vendas, com apenas 9 faixas, conseguiu bater recordes, mas não é o melhor trabalho dos anos 80 e nem do grupo.

Vamos pensar que os números estejam certos, eles mostram a verdadeira qualidade, artistas como: John Coltrane, Mpublishing2-1iles Davis, Mutantes, Tom Jobim, Johnny Alf serão artistas excluídos de todas as listas possíveis. Agora, se os números não representam essa qualidade que é tão questionada, como saberemos medir? Com a influência que o trabalho causou? Apenas o tempo dirá? Com o coração? Ou o momento?

Há outros elementos que conduzem ao sucesso nas vendagens. A divulgação é importante, vejamos o caso da Adele, as músicas são tocadas constantemente em quase todas as rádios em horários diversos nos EUA. Chegando a um ponto que a mesma música toca em menos de uma hora pelo menos 6 vezes.

Os números das vendagens deixaram de ser importantes? Hoje o que vale é o número de visualizações que se tem no site YouTube? Se for isso artistas como MC Guiné, Anitta, ou qualquer outro MC será referência para coisas boas.

Há mais perguntas que respostas, porque isso é de cada um, é muito difícil ter a certeza que esse trabalho ou outro tenha a unanimidade do grande público e crítica, que possam afirmar esse ou aquele é melhor. Pelé ou Maradona? Senna ou Prost? Beatles ou os Rolling Stones? Marylin Monroe ou Brigitte Bardot? Não há como saber, vai do gosto e da visão de cada um.