Lá se vão 20 anos desde que o Sepultura deu ao mundo um dos discos mais ousados da história do metal, Roots. Com o trabalho anterior, “Chaos A.D.”, de 1993, os brasileiros já saboreavam o gosto do sucesso, já que participou de inúmeras premiações musicais e apresentações ao vivo. Vale lembrar que “Chaos A.D.” também figura como um dos maiores álbuns de todos os tempos.

Mas todo esse sucesso não foi suficiente, a banda queria e poderia dar mais ao mundo da música. Faltava um álbum que homenageasse as suas origens, as suas raízes (daí o nome Roots).

Para a concepção das músicas, Max, Igor, Andreas e Paulo se trancaram em um estúdio em Malibu, onde os equipamentos eram velhos e valvulados. Era isso mesmo que todos queriam: seria como se o Sepultura estivesse tocando em um show.

Como já foi dito no começo desse texto, o álbum é bastante ousado e conta com diversas participações especiais como Carlinhos Brown, Mike Patton (Faith No More), Jonathan Davis (Korn) e DJ Lethal. Uma das novidades de Roots é a introdução de Attitude, com um solo de berimbau feito por Max Cavalera.

“Itsári”, talvez seja a música mais experimental do disco, e tem um grande destaque ao lado das demais faixas. Ela foi gravada no Mato Grosso com os índios Xavantes. A realização dessa jam foi fruto de muita negociação, uma vez que os índios estavam relutantes em receber a banda.

Para isso, eles passaram alguns dias na tribo e tiveram que se adaptar às tradições locais. Banda e índios gravaram tudo na hora e sem efeitos, uma experiência que jamais será esquecida.

A versão brasileira de Roots conta com duas faixas-bônus: Procreation (Of The Wicked), do Celtic Frost e Sympton Of The Universe (Black Sabbath). A versão importada conta com a faixa Canyon Jam, que é uma batucada gravada nas montanhas de Malibu. Vale lembrar que o índio da capa do álbum foi extraído de uma nota de 1000 cruzeiros e a arte com as raízes vermelhas foi feita por Michael Whelan.

Com o lançamento de “Roots”, a popularidade da banda aumentou ainda mais. Convites para tocar como headliner nos maiores festivais, capas de revistas, apresentações na TV, vendas exorbitantes, enfim, eles atingiram o ápice na carreira.

Como nem tudo eram flores, o relacionamento dentro da banda não era dos melhores, tudo porque, Igor, Andreas e Paulo estavam insatisfeitos com o modo que Gloria Cavalera, empresária e mulher do vocalista Max Cavalera, conduzia os interesses de todos.

Mesmo com todo o mundo aos seus pés, no fim de 1996, essas divergências fizeram com que o Sepultura rachasse e Max Cavalera deixou a banda no melhor momento da carreira. Até hoje existe a esperança de uma reunião com a formação clássica, mas parece que isso não vai ocorrer tão cedo.

Separados ou não, “Roots” está definitivamente na história da música por sua ousadia, que influenciou bandas como Korn e Slipknot. O rock e nós brasileiros só temos que agradecer ao Sepultura por isso.

SEPULTURA, DO BRASIL: UM, DOIS, TRÊS, QUATRO…

FAIXAS:

1 – Roots Bloody Roots
2 – Attitude
3 – Cut-Throat
4 – Ratamahatta
5 – Breed Apart
6 – Straighthate
7 – Spit
8 – Lookaway
9 – Dusted
10 – Born Stubborn
11 – Jasco
12 – Itsári
13 – Ambush
14 – Endangered Species
15 – Dictatorshit
16 – Procreation (Of The Wicked)*
17 – Sympton Of The Universe*
18 – Canyon Jam**

*FAIXA BÔNUS (APENAS VERSÃO BRASILEIRA)
**FAIXA APENAS NA VERSÃO IMPORTADA