Se voltássemos ao passado, mais ou menos na década de 30 até os anos 50, e você ligasse um rádio, a sua maior chance era de ouvir um samba-canção. E se fosse ainda mais certeiro e escolhesse o ano de 1959 provavelmente escutaria uma das canções mais marcantes e lindas: “A Noite do Meu Bem”.

O samba-canção dominou o mercado fonográfico até meados da década de 60. Mas isso começou, mais exatamente quando o presidente Eurico Gaspar Dutra, mas conhecido como Presidente Dutra, fechou todos os cassinos, dando a chance das boates serem um dos principais meios de diversão adulta da burguesia brasileira. E a região de Copacabana, no Rio de Janeiro, foi o local com mais concentração de boates daqueles tempos.

Canção escrita e interpretada por uma voz lindíssima, Dolores Duran. Quando um amor é muito grande, a distância pode ser dolorida, e o que você mais quer é a volta do seu bem. Por toda a canção, ela pede essa volta e em todos os sentidos.

“Quero a alegria de um barco voltando
Quero ternura de irmãos se encontrando
Para enfeitar a noite do meu bem”

Dolores vinha de alguns relacionamentos que não deram certo, um deles foi com o músico João Donato, com quem muitos acreditam que não se casaram por causa da família dele, que achava que ela não fazia parte da mesma classe social que ele. Além dessas dores, Dolores em 1955 sofre um ataque cardíaco, que a faz deixar ainda mais triste, ainda mais que os médicos pediam para que ela não bebesse e não fumasse, algo que ela adorava fazer. Depois casa-se com Macedo Neto, tenta uma gravidez que não deu certo e fica sabendo que não poderia engravidar. Mas a sua vida profissional vai de vento em popa: shows, viagens e apresentações marcantes na Rádio Nacional. Estava demais!

Ela queria viver intensamente, mesmo sabendo da sua doença e as noites cariocas presenciavam a sua bela voz, e uma dessas noites ela escreve “A Noite do Meu Bem”, que foi umas das suas últimas canções. Conquistou os primeiros lugares das paradas. Como foi escrita no fim de 1959, ela tocou por dias adentro de 1960, ficando entre as 3 mais tocadas naquele ano. Muitos dizem que foi a sua música de despedida. Em sua coluna, o amigo e jornalista Antônio Maria escreve um texto de despedida para a amiga.

Mas com tudo isso, tem uma coisa que nunca morreu: as suas músicas.

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