Miles estava cansado do marasmo que o Jazz estava. Ao seu redor o mundo estava em ebulição musical e comportamental. Woodstock, Flower Power, os Panteras Negras, a viagem ao espaço, a liberdade sexual entre outras inúmeras coisas. Mas o Jazz não se incluía nessa efervescência. Até que Miles Davis dá o pontapé inicial ao que conhecemos hoje como o Jazz Rock.

A fusão do Jazz com o Rock foi a sacada que levou a loucura os mais tradicionais fãs e críticos de Jazz porque achavam que tinha distorções de mais. Agora o público que não estava acostumado achou sensacional, levando o disco para o rock.  Miles estava balançado desde o lançamento de Sgt Pepers dos Beatles, e de pois da apresentação de Jimi Hendrix em Woodstock ele tomou coragem para fazer o que tanto queria.

O seu grupo de trabalho era formado por 2 Bateristas (Jack DeJohnette e Lenny White), 2 Tecladistas (Joe Zawinul), Baixo elétrico e Baixo acústico (Dave Holland e Harvey Brooks), Guitarrista (John McLaughlin), 2 Percussionistas (Don Alias e Juma Santos), Trompetista, Saxofonista e um Clarinetista (Bennie Maupin). Uma equipe completa para fazer um som revolucionário.

O produtor Teo Macero deu uma entrevista ao Jornal Saturday Review em 1971 explicando como foi a produção: “Eu não parava os tapes como fazia antigamente. Os tapes rolavam até a abanda terminar de tocar. Daí a gente parava, escutava tudo e decidia o que seria feito na edição”. Esse tipo de edição era mais uma novidade que Miles colocou no Jazz, enquanto antigamente os discos de Jazz era quase que gravado ao vivo, com pouquíssimas edições.Com isso “Bitches Brew” foi o primeiro álbum da história do Jazz a ser construído por inteiro em um estúdio. Além disso foi o primeiro disco de Miles a ganhar disco de ouro.

As polemicas não ficaram apenas nas canções e produção, a capa foi mais um que fez muito barulho. Uma arte psicodélica feita pelo artista plástico alemão Abdul Mati Klarwein. Onde também mostra as origens da mistura musical que trazia, que Miles repetia que era uma influência africana.

Se na época muitos torceram o nariz porque quebrou o tradicionalismo hoje podem ver o erro que cometeram com esse álbum envolvente.

FAIXAS

01 – Pharaoh’s Dance

02 – Bitches Brew

03 – Spanish Key

04 – John McLaughlin

05 – Miles Runs the Voodoo Down

06 – Sanctuary