Quando na vida você encontra alguém que ama, qualquer coisa faz lembrar essa pessoa, e as coisas que eram para lhe chatear viram insignificantes perto da alegria que sente por tê-la.

Silvio Caldas e Orestes Barbosa são os responsáveis por uma das letras mais belas da história da música brasileira. Ao cantar o amor por uma cabrocha, que fazia da sua vida um ‘palco iluminado, eu vivia vestido de dourado’, mas lembrar que ela se foi, fazia o peito encher de tristezas e tudo ao seu redor fazia lembrar dela.

Onde eles moravam era simples, até o zinco que cobria seu barracão, que tinha buracos, o luar clareava o chão batido e cada luz que entrava por esses buracos fazia um ‘Chão de Estrelas’. E ao ouvir essa linda canção percebemos a potência e a técnica de Silvio Caldas. E se lembrarmos que os microfones da época quase não existiam amplificadores, não existiam mixagens e para produzir um 78rpm que era fabricado com a gravação direto nos sulcos dos vinis por meio de fórceps (explicar o que é) demonstra o quão maravilhoso a voz de Silvio Caldas.

Então, quando você ouvir uma pessoa que vivenciou essa época e dizer que Silvio Caldas, Francisco Alves, Orlando Silva, Dick Farney entre outros eram cantores sensacionais, apenas concorde, não há argumentos para dizer ao contrário.

“A porta do barraco era sem trinco
Mas a lua, furando o nosso zinco
Salpicava de estrelas nosso chão
Tu pisavas nos astros, distraída
Sem saber que a ventura desta vida
É a cabrocha, o luar e o violão”