Cazuza já sabia ser portador da AIDS, e pode ter sido isso que tenha feito ele mudar a linha de composição. Deixando de lado muitos assuntos pessoais e desbravando novos horizontes, ele começa a ver os problemas de uma sociedade que mesmo sem a Ditadura ainda vivia preso e enganado com o curso que o rio da política estava indo.

“Guerra Civil” era uma ideia que ele tinha que a sociedade estava em uma guerra contra a própria sociedade, ela mesmo entrava em uma batalha contra a sociedade que ele pertencia. “Blues da Piedade” se tornou com o tempo um clássico de Cazuza. Inúmeros artistas regravaram. Uma música que mostra o lado fraco do povo, mas não na parte física e sim mental, onde não havia esperança e nem forças para nada.

“Agora eu vou cantar pros miseráveis
Que vagam pelo mundo derrotados
Pra essas sementes mal plantadas
Que já nascem com cara de abortadas
Pras pessoas de alma bem pequena
Remoendo pequenos problemas
Querendo sempre aquilo que não têm”

Letra Blues da Piedade

A doença também foi um dos temas, e a morte que ele podia enxergar lhe fez escrever algumas canções. Em “Boas Novas” ele faz um tipo de alarde pela sua partida, ele conseguia ver a morte. “O Assassinato da Flor” mostra todo tipo de dor, comparando as flores vivas ou mortas com pessoas. “A Orelha de Eurídice” o exagero do amor com a dor, em todo o momento a comparação do amor com coisas que de alguma forma pode machucar. Essas três canções foi o começo das composições solitárias de Cazuza. Ele que gostava tanto das parcerias, isso acaba sendo incomum até aquele momento.

8-Aids

“Brasil” virou um dos hinos da constituição de 1988. Ainda jovem em uma democracia, o Brasil vivia um turbilhão de mudanças, e Cazuza não podia deixar esse assunto despercebido. Em sua visão ele vê um país que estava sendo enganado e …. se quiser saber mais sobre essa música clique aqui. Outra canção de muito sucesso foi “Faz Parte do Meu Show” que fugia totalmente do ambiente do disco, era uma volta ao amor boêmio, nessa levada típica bossanovista.

“Ideologia” é daquelas canções em que algum momento teremos essa reflexão. Pode ter sido o medo da doença, mas ele viu que nem tudo no que ele acreditava poderia salvar ele ou ninguém. A capa tem uma conexão com essa música, lá encontro todos os símbolos que ele e outras pessoas acreditavam: Comunismo, Movimento Hippie, capitalismo, judaísmo, cristianismo, partidarismo e o taoísmo. Essa ligação existe “Ideologia, eu quero uma para viver”. Outro fato importante é que foi uma das últimas músicas com parceria de Frejat, seu grande amigo.

Um dos inúmeros clássicos dos anos 80.

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“Paro no meio da rua
Me atropelei demais
Alguém pergunta as horas
Ou então vai me matar”

Letra Guerra Civil

 

“Meus heróis
Morreram de overdose
Meus inimigos
Estão no poder
Ideologia!
Eu quero uma pra viver”

Letra Ideologia

FAIXAS

01 – Ideologia

02 – Boas Novas

03 – O Assassinato da Flor

04 – A Orelha de Eurídice

05 – Guerra Civil

06 – Brasil

07 – Um Trem para as Estrelas

08 – Vida Fácil

09 – Blues da Piedade

10 – Obrigado

11 – Minha Flor, Meu Bebê

12 – Faz Parte do Meu Show