Falar de Golpe de Estado é relembrar toda uma geração oitentista brasileira que aprendeu com eles o que de fato o rock representava em termos de peso, distorções e rebeldia.

O disco de 1986 traz consigo grandes singles, a começar pela faixa “Society”, onde o som é uma verdadeira bancada na alma. Riffs típicos de hard rock, vocal sujo e bateria com muitas viradas. A letra relata a difícil situação do brasileiro médio e as mazelas do governo.

“Underground” é de fato uma das melhores introduções. O som lembra e muito bandas norte americanas como “Guns N’ Roses”, “Skid Row” ou “Def Leppard”.

“Olhos de Guerra”, sem dúvida, é a música mais profunda do disco, senão da histõria da banda. A canção relata o sofrimento de crianças em situações de guerra. A guerra descrita na canção possui duas vertentes, o viés de guerra como confronto e o viés de guerra contra a fome na África. Uma letra que nos chama para uma verdadeira reflexão sobre o tema.

“Você Não Tem Nada A Ver
Com O Que Está A Acontecer
Pequena, Morena, Criança
Sem Esperança

Criança Na Guerra
Morrendo Em Sua Terra
Com Os Olhos De Terra
Com Os Olhos De Guerra

E Alguma Mente Covarde E Egoísta
Faz Criança Virar Capa De Revista
Criança Que é Semente
De Um Bombardeio Ardente”

Outras canções como “Aqui na Terra”, “Libertação Feminina”, “Sem Ser Vulgar” faz desse disco do Golpe de Estado um dos melhores do rock nacional eu diria. Uma curiosidade do disco de 1986, é que ele chegou ao mercado com certa diferença em sua concepção por se tratar de um vinil com lados em rotações diferentes. Um dos lados tem 33  e o outro 45 rotações. Com esta confusão, na troca do vinil muitos ouvintes das rádios paulistanas acabaram ouvindo “Olhos de Guerra” em rotação errada.


FAIXAS

1 – Society

2 – Pra Conferir

3 – Undenground

4 – Libertação Feminina

5 – Sem Ser Vulgar

6 – Olhos de Guerra

7 – Aqui na Terra