O racismo é um problema que a sociedade enfrenta por anos. Hoje temos campanhas, estudos e enfrentamento direto contra esse problema que perdura por décadas. Pode ser que com o tempo o racismo tenha diminuído (ou não). Agora imagine isso na década de 30 nos Estados Unidos, onde a perseguição aos negros era intensa. A única maneira que os negros tinham como expressar essa perseguição era pela música.

Em 1939 Billie Holiday canta “Strange Fruit” na versão mais famosa de uma letra escrita em 1930 por Abel Meeropol. Ele escreveu essa canção depois de um linchamento a dois jovens negros em Indiana nos EUA.

“Árvores do sul produzem uma fruta estranha,
Sangue nas folhas e sangue nas raízes,
Corpos negros balançando na brisa do sul,
Frutas estranhas penduradas nos álamos.”

strange-fruitEssa canção foi o começo de uma nova linha para Billie, indo para canções mais populares onde os temas são mais táteis as pessoas. “Strange Fruit” foi a causa de Holiday ter discutido com a gravadora Columbia. A gravadora achava que os varejistas poderiam boicotar o disco. Com isso ela vai para uma gravadora pequena chamada Vocalion Records.

Foi tão importante essa canção para Holiday que ela prosseguiu em seu repertório durante 20 anos e outro fato importante é que ela associava essa canção a possível morte do seu pai em 1937 ter sido por perseguição racial.

Em 1944 ela volta regravar. Além de Holiday a canção foi interpretada por Nina Simone (a fantástica Nina Simone), Diana Ross, Jeff Buckley, John Legend entre outros.

“Aqui está a fruta para os corvos arrancarem,
Para a chuva recolher, para o vento sugar,
Para o sol apodrecer, para as árvores derrubarem,
Aqui está a estranha e amarga colheita.”