Da série expressões delicadas de serem traduzidas do inglês para o português, uma serve perfeitamente para Paulo Ricardo. Ele tem o que se se chama de ‘god’s gift’ para o pop. Muito bem, se você quiser, pode traduzir seu talento para criar canções imediatamente cativantes como ‘presente divino’. Mas não é a mesma coisa.

O que Paulo Ricardo tem mesmo é ‘god’s gift’, que ficou claro com o primeiro álbum do RPM e que se comprova, ou melhor, se aperfeiçoa da maneira mais elegante e possível em “Psico Trópico”. Desde seu disco de estreia custou um pouco para que essa sua capacidade fosse novamente revelada, mas a espera só trouxe boas notícias.

Assim, “Psico Trópico” veio com faixas perfeitamente sintonizadas com o pop mundial, com melodias ao mesmo tempo ricas e fáceis, com letras simples e diretas, e numa variedade de deixar fascinado.

Signo começa bem. A referência oriental é quase diluída na densa, mas nunca excessiva, produção de Liminha. Na primeira audição, quem chega à última estrofe sem se perder na ventania musical na faixa, pode ouvir com clareza a melhor definição da própria canção: “cada palavra/ cada frase ecoa assim/ como se houvesse um mundo/ e há um mundo inteiro em mim”. E tem-se a clara sensação de que esse mundo que Paulo Ricardo resolveu explorar não se limita às dez faixas de “Psico Trópico”. Paulo Ricardo tem muito para mostrar: da catarata musical de “Nas Nuvens” à balada em “Dia da Caça”, ele trabalha com nuances diferentes, mas nunca com seu instinto errado.

“Nas Nuvens”, esbanjando pop, Paulo Ricardo pede apenas que seu amor o abrace forte, o que beije na boca e diga a verdade. Em “Psico Trópico” há referências por toda a parte, mas isso não significa problema algum se a questão passa pelo filtro de Paulo Ricardo, que consegue transformar a simplicidade de “Sexy e Quente” em outro precioso momento pop.

Ainda tem a boa versão para “How Could I Know”, de Raul Seixas, daquelas covers competentes que não ofendem a música original; tem Paulo Ricardo pegando um pouco mais pesado em “Imperius Rex”, falando sério em “2×100”, despretensioso em “De Repente”. Esse novo disco em humores imprevisíveis, ironias, pequenas confissões disfarçadas e a vontade de entreter.

Paulo Ricardo voltou a aceitar seu ‘presente divino’, e ele está embrulhado em “Psico Trópico”, pronto para quem quiser abrir.

* TEXTO DE DIVULGAÇÃO DO DISCO ESCRITO POR ZECA CAMARGO.

FAIXAS:

1 – Signo
2 – Nas Nuvens
3 – Polícia e Ladrão
4 – 2×100
5 – Imperius Rex
6 – Sexy e Quente
7 – Dia da Caça
8 – Gosto
9 – De Repente
10 – How Could I Know