Ano 1964. Época de grande “boom” cultural e político que sacudiu e revolucionou o mundo todo. Era a época dos Beatles, Rolling Stones, dos cabelos compridos, da pílula anticoncepcional, da Bossa Nova e dos protestos nas ruas. Nas faculdades proliferavam grupos amadores de teatro, música e movimentos de cultura popular.

Foi nesta época, que um grupo de jovens universitários paulistanos se uniu com a proposta de não copiar o jazz primitivo, mas sim recriá-lo num espírito evolutivo. Nascia a Traditional Jazz Band (TJB), que há mais de cinco décadas mantém viva as raízes do gênero no Brasil.
A banda é formada por Alcides Lima, o Cidão (bateria e washboard), Edo Callia (piano), Eduardo “Dudu” Bugni (banjo e violão), William Anderson (Trombone), Carlos Chaim (contrabaixo), Austin Roberts (trumpet) e Marcos Mônaco (clarinete, sax-alto, sax-tenor, sax-soprano e flauta).

O integrante mais novo tem em torno de 60 anos de idade, mas todos esbanjam grande energia ao vivo. “O segredo está no prazer que sentimos tocando jazz. Estou com 78 anos mas viro criança quando subo no palco. É essa alegria que pretendemos transmitir ao publico nos shows”, disse Austin, que faz parte da banda desde o início ao lado de Dudu e Cidão.
A TJB já realizou centenas de shows no Brasil e no exterior, incluindo participações de destaque em vários Festivais de Jazz nas cidades de New Orleans, Califórnia, Washington, Boston e em países como a Argentina, Uruguai, Chile e Paraguai. “Somos a única banda de jazz catalogada em museus e festivais de jazz internacionais”, disse Cidão.

Seguidora dos grandes mestres do gênero, a banda adicionou no programa apresentado durante a turnê nos EUA o espírito “verde e amarelo” ao estilo, criando a primeira versão mundial de jazz temperado com samba para “In the Mood”, um dos maiores sucessos de Glen Miller.
Questionado sobre o sucesso da banda brasileira, Cidão declara que o grupo tem um trunfo especial: a capacidade de entretenimento e comunicação com a platéia durante os shows. “Não há banda no Brasil e nos EUA que chegue junto ao público como a gente. Amamos o que fazemos e transmitimos isso para o nosso público”, completou.

Com cinquenta e três anos de carreira, a Traditional Jazz Band já lançou 21 CD’s e se prepara novidades no decorrer do ao. O primeiro trabalho foi em 1969 e o mais recente intitulado “Traditional Jazz Band Brasil – 45 anos”, foi lançado em mercado internacional. O repertório da banda é formado por composições de grandes mestres do jazz como Duke Ellington, Fats Waller, Count Basie entre outros.
No aspecto das composições próprias, o grupo criou as trilhas para os filmes Eros, Eu, Amor Estranho Amor e Forever, do cineasta Walter Hugo Khouri. Em 1990, a TJB iniciou o projeto que dá titulo série “Vamos ao Jazz”, com shows semanais e ao vivo com 20 programas e mais de 250 temas diferentes. Assistido por milhares de espectadores, o projeto sempre foi recebido com entusiasmo e participação. Se por um lado exigiu dos músicos contínuos estudos, por outro, permitiu ampliar seu repertório, domínio musical coletivo e individual das várias correntes do jazz e proporcionando maior contato com o público.

Outro projeto, lançado no ano de 2002, visou colaborar no combate ao mosquito da dengue com o lançamento do CD institucional “Pium pium o Mosquito da Dengue”, distribuído em várias instituições e meios de comunicação. A letra educativa e bem humorada, fala sobre a reprodução do mosquito, sintomas e prevenção da doença, com direito a um video clip sobre o tema.

O humor é uma outra característica que não podemos deixar de citar e que está presente durante os shows. O clima é descontraído e informal, misturando música, informação, e muitas vezes os músicos da banda dão a impressão de estarem se divertindo mais que a própria platéia. “Somos um grupo de amigos que se diverte ao tocar para amigos que gostam do jazz”, declaram em coro. Já a platéia por sua vez corresponde aos músicos nas apresentações em alguns temas cantam com a banda além de acompanhar as músicas balançando o corpo, enquanto os mais entusiasmados aplaudem os eventuais solos dos instrumentistas incentivando-os. Resultado: o público se diverte e aprende a conhecer um pouco mais sobre essa música que nasceu tão longe do Brasil, mas que cada vez ganha mais adeptos.

Além disso, a banda se dá ao luxo de não depender de gravadoras. Por meio da TJB Empreendimentos Artísticos, eles não só gravam apenas os seus discos, como também produzem shows de outros artistas emergentes.